domingo, 6 de fevereiro de 2011

Soneto LXXXIX


Quero quando eu morra tuas mãos em meus olhos:

quero a luz, quero o trigo de tuas mãos amadas
passar uma vez mais sobre mim essa doçura:

sentir tua suavidade que mudou meu destino.
.

Quero que vivas enquanto adormecido,

espero que teus olhos sigam ouvindo o vento,

que sintas o perfume do mar que amamos juntos

e que sigas pisando a areia que pisamos.
.
Quero que o que amo siga vivo e

a ti amei e cantei sobre todas as coisas,
por isso segues florescendo, florida,

.

para que alcances tudo o que meu amor te ordena,

para que passeie minha sombra por teus cabelos,

para que assim conheçam a razão do meu canto''
.
Pablo Neruda

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